Pesquisa sobre controle de epilepsia é premiada em congresso nacional

A doutoranda em Bioengenharia pela UFSJ, Samyra Giarola Cecílio, foi premiada no XXVI Congresso de Engenharia Biomédica, organizado pela Sociedade Brasileira de Engenharia Biomédica (SBEB), que aconteceu em outubro. A aluna recebeu o prêmio Cientista Cândido Pinto de Melo, o mais importante concedido pela sociedade, por seu trabalho que aborda o controle da epilepsia.

A pesquisa é intitulada “Efeito do bloqueio dos cotransportadores NKCC1 e KCC2 nas atividades epileptiformes não sinápticos” e foi desenvolvida no Laboratório de Neurociência, no Campus Dom Bosco, e é parte da tese de doutorado de Samyra. Participaram do trabalho, além da aluna, os professores Antônio-Carlos Guimarães de Almeida e Antônio Márcio Rodrigues, e o aluno de pós-doutorado, Luiz Eduardo Canto Santos. Os professores foram responsáveis pelas simulações computacionais, e o pós-doutorando auxiliou nos trabalhos experimentais.

Samyra conta que os achados da pesquisa trazem “novas perspectivas para a área clínica e saúde da população, uma vez que aponta novos alvos para o controle da epilepsia”. Hoje, 1% da população mundial e 2% das populações de países em desenvolvimento, como o Brasil, são afetados pela epilepsia. Dentre elas, a mais comum entre os adultos é a epilepsia do lobo temporal. Esta doença não é tratável com os medicamentos que hoje estão disponíveis.

O professor-orientador Antônio-Carlos conta que “o objetivo central do trabalho é investigar a ação de um diurético, cujas propriedades antiepileptogênicas já foram relatadas por diversos grupos de pesquisa, mas cuja utilização clínica impõe determinados limites diante dos efeitos colaterais, uma vez que essa droga também afeta funções renais.”

Além disso, o trabalho oferece novas estratégias para o tratamento dos portadores de epilepsia de lobo temporal: “identificamos que a furosemida, ao contrário do que muitos suspeitavam, não tem sua ação antiepileptogênica mediada pelo bloqueio de duas enzimas presentes de forma abundante no cérebro e nos rins”, explica. O pesquisador esclarece que, na verdade, a droga atua sobre duas outras enzimas reguladoras do pH dos tecidos cerebrais. “Esses achados abrem caminho para o desenvolvimento de novas drogas cuja ação deverá se concentrar, o mais especificamente possível, nesses mecanismos, reduzindo, assim, os efeitos colaterais promovidos pela furosemida.”


Publicada em 09/11/2018
Fonte: ASCOM

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