UFSJ participa de evento internacional em Paris com oficina sobre teatro político e tradições de Terreiro
Publicada em 26/09/2025
A metodologia, ciência e encanto do Coletivo Fuzuê, vinculado ao Grupo de Pesquisa em História, Política e Cena (GPHPC) da UFSJ, ligado ao Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas (PPGAC/UFSJ), cruzou o oceano para representar a universidade em Paris, na França.
O grupo participou do encontro internacional CIRCUL’ARTs - Conectando Pedagogias Críticas, Formas de Arte Inclusivas e Barômetros Alternativos para a Sustentabilidade Urbana (Connecting Critical Pedagogies, Inclusive Art Forms and Alternative Barometers for Urban Sustainability - Action CA23117), entre os dias 9 e 11 de setembro. A ação é vinculada ao programa European Cooperation in Science and Technology (COST).
O congresso reuniu pesquisadores, artistas e educadores de diferentes países em torno de práticas pedagógicas críticas e formas inclusivas de criação artística. Na ocasião, a professora Carina Maria Guimarães Moreira (PPGAC/UFSJ) e o doutorando Carlos Aurélio dos Santos “Toindé” ministraram a oficina “Ritmos de Luta e Encantamento: Teatro Político e Tradições de Terreiro como Dispositivo de Criação”.
A oficina é resultado do encontro entre dois projetos, desenvolvidos no âmbito do Laboratório Cênico Coletivo Fuzuê da UFSJ. Por Carina, “Afinando os Tambores: Estética, Política e Cena entre Universidade e Movimentos Sociais”; por Carlos Toindé, no doutorado, “Nzila: ritmos do sagrado como sistema ancestral de encantamento e terreirização dos modos de criação cênica”.
A parceria visa ampliar o campo da arte como prática de mobilização social e ecológica, horizonte de práticas contra-coloniais e decoloniais. A atividade constituiu um espaço de experimentação cênica orientado pela formação estética e política, entrelaçando fundamentos do teatro de agitação e propaganda com saberes afro-diaspóricos - tambores, cantos e corporalidades coletivas - investigados como potências pedagógicas e políticas no fazer teatral.
Na visão dos pesquisadores, os trabalhos do Laboratório são frutos de anos de pesquisa e diálogo contínuo com movimentos sociais, elaborando metodologias de trabalho teatral de caráter político. A articulação do teatro épico com práticas culturais dos movimentos sociais, como o MST, além da força estética e filosófica das tradições afro-diaspóricas, configura a ‘cena’ como um território de encontro entre política e estética, universidade e comunidade, arte e ancestralidade.
Texto e Arte: Mariana Bessa