Oficina Jongo, Terra e Cura: Regeneração Ancestral
Publicada em 02/08/2025
No dia 1º de agosto, a Praça da Biquinha, em São João del Rei, virou palco de tambores, canto e aprendizado com o coletivo Jongo Negra Mina. A oficina Jongo, Terra e Cura: Regeneração Ancestral abriu espaço para qualquer pessoa chegar, ouvir, aprender e rodar junto.
Mais do que ensinar passos, o coletivo compartilhou saberes que passam de geração em geração. Os participantes aprenderam a importância de saudar os tambores, ritual que abre e fecha a roda com respeito. Também entenderam por que a dança gira sempre em sentido anti-horário: é o tempo ancestral que não anda pra trás, mas volta pra abraçar quem veio antes.
Os passos foram ensinados devagar, mostrando que na roda de jongo há regras que mantêm a tradição viva: só um par dança de cada vez, enquanto os outros cantam, batem palma e seguram o ritmo. E todo mundo aprende a entoar os pontos - cantos de chamado e resposta que, de tanto repetir, colam na pele.
Também teve momento pra conhecer cada tambor e suas vozes: o Tambu, que simboliza mães, avós e bisavós; o Candongueiro, os pais, avôs e bisavôs, e a Puíta, os filhos, netos e bisnetos. Cada toque é uma linhagem pulsando no couro e na palma de quem toca.
Entre as danças, a roda se abriu para pausas de conversa. Em formato de assembleia, foram surgindo reflexões sobre o individualismo - apontado pelo coletivo como uma das grandes crises do nosso tempo. Ali, a prática era o oposto: na roda de jongo, ninguém dança sozinho. Tudo é partilha, tudo é comunidade.
No final, a oficina deixou no ar um lembrete forte: regenerar é também voltar às raízes, escutar quem veio antes, dançar junto para curar o agora. É exatamente esse o espírito do Regenera!, tema que costura o Inverno Cultural UFSJ este ano - um convite pra recuperar laços, memórias e ritmos que resistem ao tempo.
Confira como foi no instagram da UFSJ e fotos por Jak Azevedo.
Texto: Jak Azevedo