A existência e resistência da biblioteca: oficina sobre o conto ?A biblioteca de Babel?, de Jorge Luis Borges
Publicada em 01/08/2025
Nesta quinta-feira, dia 31, aconteceu no Inverno Cultural a oficina “A biblioteca infinita de Jorge Luis Borges”. Nela, a proposta foi uma vivência literária a partir do conto “A Biblioteca de Babel". Durante o encontro, houve a leitura do texto, debate e criação de fragmentos fictícios, fazendo com que os participantes explorassem temas como o infinito, o saber e o acaso.
A obra apresenta um universo imaginário em forma de uma biblioteca infinita, composta por salas hexagonais interligadas que contêm livros com todas as possíveis combinações de letras, pontuação e espaços. Isso significa que, entre os incontáveis volumes, estão reunidos todos os livros que já foram escritos, os que poderiam ter sido escritos, incluindo versões verdadeiras, falsas e contraditórias de todas as verdades possíveis.
O narrador, um bibliotecário anônimo, reflete sobre o significado dessa estrutura infinita e destaca o desespero e a esperança que ainda existe nos habitantes da biblioteca. Alguns enlouquecem buscando sentido, outros criam teorias sobre a origem e a organização da biblioteca.
A busca por ordem em meio ao caos torna-se então um símbolo da própria busca humana por sentido no universo. O conto é uma alegoria profunda sobre o conhecimento, o infinito, o acaso e os limites da compreensão humana e foi analisado de diversas formas, focando em como a biblioteca existe desde sempre e para sempre. Ao final, os participantes foram convidados a produzir e a expor seus textos, celebrando a imaginação e os labirintos da linguagem.
Pedro Demenech, que ministrou a oficina, é professor de História da América na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), mestre pela UFES e doutor em História Social da Cultura pela PUC-Rio. Atua nas áreas de história intelectual, pensamento social latino-americano e história da cultura. Para ele, a oficina se encaixa no tema regenera pois estar em São João del-Rei discutindo um autor argentino, é a regeneração da cultura por meio da biblioteca.
“Em um mundo onde o meio digital ganha força, a biblioteca ainda existe e resiste como esse espaço de guarnição tanto do passado, mas mais importante ainda, como preservação do futuro”, explica o professor.
Texto: Lívia Antoniazzi