Uma viagem com os ipês (e outras coisas mais) no Inverno Cultural
Publicada em 01/08/2025
Ipê, palavra de origem tupi, significa casca dura. De madeira nobre, a árvore é, atualmente, uma das mais exploradas ilegalmente em regiões do Cerrado e da Amazônia. Sejam eles amarelos, rosas, roxos ou brancos, os ipês são peças fundamentais da flora brasileira e grandes responsáveis por atapetar e colorir os pisos cimentados de nossos dias. Foi a partir dessas percepções que a vivência literária Ipê palavra tupi mergulhou com o público do 35º Inverno Cultural UFSJ no vasto universo destas árvores, que tanto significam para nossa cultura.
Na tarde de quinta, 31, o Conservatório de São João del-Rei foi palco da performance, que mesclou poesia, música e dança para refletir sobre os modos de se comunicar com a natureza brasileira e as peculiaridades dos ipês, tanto como árvore, quanto como palavra. Idealizado, produzido e interpretado por Andreza Aguida e Joelson Lima, a vivência literária trouxe uma narrativa cantada com versos autorais instigando diferentes sentidos dos espectadores.
Ao exaltar a figura do ipê, a performance, conta Andreza, é capaz de abordar as maneiras como acessamos, sentimos e percebemos o mundo. Para ela, um dos principais objetivos da obra é “trazer diversas sensações, como de quando você vê as flores do ipê caindo, quando você vê um tapete de flores do ipê no chão, ou simplesmente quando contempla a natureza, porque muitas vezes a gente está na cidade e essas nuances das estações passam despercebidas”. Este sentimento fica ainda mais evidente, acrescenta a artista, ao tratar de uma árvore nativa do Brasil.
“A gente percebe uma relação muito direta, né?”, diz Joelson sobre a temática que norteia o 35º Inverno Cultural. Com o imperativo Regenera!, a edição deste ano, afirma o músico, dialoga com a reflexão proposta sobre os ipês: “devemos ver que, se tivermos um planeta favorável à vida de todos os seres, árvores e animais, a gente vai ter um planeta favorável à vida humana. Afinal, somos também seres vivos e dependemos de todas as outras formas de vida”.
Com pés descalços, folhas espalhadas pelo palco e figurinos leves, Andreza e Joelson teceram uma performance sensível, de corpo e alma, que ecoa pelos bons ventos deste nosso Inverno Cultural como flores de ipês.
Ipê palavra tupi
“Cascuda árvore”, li
Do Caburai ao Chuí
Como irá se chamar?
Na floresta tropical
Caatinga ou Pantanal
Ocorre a tabebuia
Madeira que flutua
(Versos de Joelson Lima)
Veja como foi no instagram da UFSJ e em fotos por Mariana Bessa.
Texto: Clarice Muscalu