Seminário CALE-SE! encerra com seminário de festivais e show ao vivo

Publicada em 01/08/2025

Na noite de quarta-feira, dia 30, o Centro Cultural UFSJ recebeu a última parte do Seminário CALE-SE! ou não. Uma apresentação em clima descontraído, mesmo tratando-se de um tema delicado. Os professores Leon Kaminski,  doutor em História pela UFF, e Luiz ‘Lu’ Carlos de Laurentiz, arquiteto urbanista e professor da Universidade Federal de Uberlândia, com mediação da doutora em História Social pela UFJF, Emília Grizende, apresentaram suas pesquisas mais recentes a respeito da cultura dentro do período ditatorial em Minas Gerais. 


“Essa pesquisa foi feita no contexto do mestrado em história e tivemos acesso ao arquivo do ‘Festival de Inverno’ de Ouro Preto na UFMG. Lá eles tinham a prática do clipping, de recortar notícias dos jornais e da imprensa nacional e fizemos a seleção a partir desse material. E escolhemos algumas para mostrar as nuances do evento [...] O acervo são caixas e caixas de documentação, desde 1967”, diz o professor Kaminski em entrevista ao Inverno Cultural.


Kaminski ainda dialoga sobre a censura nos tempo atuais, como ela ocorre e da necessidade da arte e da expressão continuarem vivas: “Tendo a censura, você poda a voz, você poda a expressão cultural, você poda a oposição. Isso leva ao exílio, mas cria-se outras formas subversivas de levar a mensagem. Hoje, a gente vive num contexto de censura, [...] recorrendo a tirar obras de arte de exposições, ou, por vezes, não através da justiça, mas com pressão em museus e organizadores, que é muito perigosa e muito ruim”, complementa o professor.


Após apresentar o filme/montagem produzido durante a pandemia, o professora Luiz Carlos ‘Lu’ de Laurentiz, trouxe uma série de slides e apontamento sobre a era dos festivais brasileiros nos anos ditatoriais, incluindo a chamada Era de Ouro, apresentando uma linha cronológica entre os anos de 1960, de grandes festivais culturais, como nas cidades de Ouro Preto, a Feira Livre do som em Uberlândia, e como essa cultura perdeu força após 1972.


Ao final, foi aberto o debate com perguntas à mesa, expandindo o tema e abrindo novas visões de pesquisa. As discussões debateram sobre lacunas históricas em relação a datação nas pesquisas e sobre a importância da memória dentro do contexto histórico e jornalístico.


Essa limitação de conteúdo disponível resulta em lacunas nas pesquisas que ambos vem preenchendo em suas pesquisas junto ao Laboratório de Imagem e Som (LIS-UFSJ) e com apoio da UFSJ, PROEX, DECIS, PGHIS, NEPEHM, UFU, FAPEMIG e UEMG. O projeto “A ditadura em Minas Gerais”, tem como intuito promover considerações sobre a produção cultural durante a ditadura militar no Brasil, construindo reflexões acerca desse período e seus desdobramentos da contemporaneidade.


Show de Dora Grossi encerra as apresentações do Seminário CALE-SE! ou não


Após o seminário, aconteceu o show da artista Dora Grossi. A artista em sua apresentação resgatou músicas marcantes do período ditatorial brasileiro, combinando com o tema debatido no seminário anterior, e emocionando o público com sua interpretação. Dora Grossi começou seus estudos em música nos anos de 1980, em Belo Horizonte, Minas Gerais. Morou em Paris e realizou pesquisas de doutorado e pós doutorado sobre a palavra  a poesia urbana, voz e o canto


Em entrevista, Dora conta sobre a experiência e o significado desse movimento de resistência na época ditatorial dos anos de chumbo: “A seleção foi feita a partir do tema propriamente, peguei músicas que são ícones, símbolos do período, como ‘Cálice’. Uma seleção escolhida em consonância com o tema”. Em particular a música tema da apresentação, ‘Cálice’, é um forte símbolo de resistência ao transparecer a censura “A música foi escrita na semana santa, em período da ditadura, e os autores, Chico Buarque e Gilberto Gil, aproveitaram para introduzir a metáfora, o ‘Cálice’  que significa a opressão e os limites impostos pela ditadura e seu autoritarismo.”

 

Veja como foi no Instagram da UFSJ e nas fotos por Marina Peron.

Texto: Antônio M. Dias