Uma cartilha para todos

UFSJ distribui cartilha que chama atenção para o direito das pessoas com deficiência

 "Eu sempre fui discriminada na escola, inclusive pelas pessoas que eu achava que eram minhas amigas, mas isso só serviu para me fortalecer. Aprendi a gostar de mim do jeito que eu sou e aceitar a minha deficiência." Esse depoimento, de uma aluna de pós-graduação da UFSJ, está presente na cartilha Da Necessidade Especial ao Direito, e reflete as barreiras que as pessoas com deficiência encontram ao longo da vida. A cartilha começou a ser distribuída em todos os campi da Universidade Federal de São João del-Rei – foram oito mil exemplares, e a partir do início de 2011 mais dois mil chegarão também a escolas, indústrias, comércio, hotéis e restaurantes. Lançado em 17 de novembro, o material informativo faz parte do Programa de Inclusão de Pessoas com Deficiência - UFSJ Sem Barreiras.

O Programa de Inclusão busca criar condições de acesso e permanência ao estudante com necessidades educacionais especiais. Através da cartilha, pretende-se chamar a atenção para o Direito de Todos: as pessoas com deficiência (física, auditiva, visual, intelectual ou múltipla) têm direito à autonomia, à independência, a fazer suas escolhas, estudar, trabalhar e compartilhar lazer e relações afetivas. A cartilha aborda seis temas: políticas públicas; educação; trabalho; acessibilidade urbana e arquitetônica; informação e comunicação; lazer e turismo.

Muitos transtornos poderiam ser evitados se os direitos básicos fossem conhecidos pelos cidadãos, afirma a coordenadora do Programa, Maria Nivalda de Carvalho Freitas (Dpsic). Segundo Nivalda, a cartilha pode colaborar para informar a sociedade, por ser um material com linguagem simples, ilustrado e que pode ser usado para consulta. Nem todos sabem, mas a pessoa com deficiência tem direito, por exemplo, à educação pública e gratuita, preferencialmente na rede regular de ensino. Os estabelecimentos de ensino devem oferecer condições de acesso às salas, bibliotecas, ginásios, laboratórios e sanitários, dentre outros ambientes. Trata-se de um grande desafio para as escolas: repensar valores, gestão e práticas pedagógicas para buscar uma educação para todos. Nivalda acredita que as escolas já estão se sensibilizando para enfrentar esses desafios.

Poucos dias após a distribuição dos primeiros oito mil exemplares, a repercussão já pode ser percebida. O Programa ganhou destaque em telejornais da região. Além disso, a coordenadora tem recebido constantes elogios à cartilha, que pode ser acessada também pela internet, através do site http://www.ufsj.edu.br/incluir .

Experiências afirmativas

As adaptações para atender às pessoas com deficiência devem estar presentes no trabalho e no ambiente urbano - o que inclui espaços de lazer e transporte público. Adaptar os ambientes físicos, sinalizar, realizar treinamentos e dar oportunidade de crescimento a todos são algumas das modificações necessárias numa empresa para superar as barreiras físicas, de comunicação e de concepções preconceituosas. A cartilha convida o leitor à reflexão: "quando você é o responsável pelo planejamento de uma nova atividade ou um novo projeto na sua escola, universidade ou trabalho, a acessibilidade é levada em consideração?".

Há experiências que respondem de forma afirmativa. É o caso da cidade de Socorro (SP), adaptada para o ecoturismo e o turismo de aventura para pessoas com deficiência e com mobilidade reduzida. Outros exemplos por todo o mundo, como transporte coletivo 100% adaptado, práticas esportivas e turísticas, acessibilidade em patrimônios tombados, podem ser conferidos no site http://turismoadaptado.wordpress.com .

Na UFSJ, as obras da expansão preveem a acessibilidade e fazem uso de rampas e elevadores. O Campus Dom Bosco (CDB) será o primeiro a receber pisos táteis de alerta, para facilitar a locomoção de pessoas com deficiência visual. A instituição adquiriu recentemente cadeira de rodas motorizada e impressora em Braile. Em relação à comunicação, foi solicitada a instalação de telefones públicos adaptados em todos os campi, enquanto os laboratórios de informática estão recebendo software que permite o uso de microcomputadores por pessoas com deficiência visual e mobilidade reduzida. Foi criada, ainda, a Comissão de Acessibilidade, que avalia as estratégias adotadas pela Universidade para proporcionar às pessoas com deficiência condições de desenvolver suas atividades dentro de um processo de inclusão social.

Informar e comunicar

A acessibilidade em sites, o Sistema Braile, a Língua Brasileira de Sinais (Libras) e as tecnologias assistivas (Tas) colaboram para que pessoas com deficiência acessem às informações e se comuniquem de forma adequada. Segundo a cartilha, quando um site não segue as diretrizes de acessibilidade, uma pessoa com deficiência visual, utilizando software de leitura, pode precisar acessar mais de 30 links para ler uma notícia. Para ampliar o conhecimento na Língua Brasileira de Sinais, a UFSJ realizou o Curso de Introdução a Libras, entre setembro e outubro.




Publicada em 07/12/2010
Fonte: ASCOM

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